A Rota das Abolições da Escravidão
e dos Direitos Humanos
 
  Victor Schoelcher (1804 –1893) e a abolição

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Manifestaçoes
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Logo após seu regresso, publica um primeiro artigo « dos Negros » que se opõe abertamente à escravidão. Durante os anos que seguem, suas posições abolicionistas se fortalecem através de varias publicações : « da escravidão dos Negros e da legislação colonial » em1833, « a abolição da escravidão » em 1840, « das colonias francesas, abolição inmediata da escravidão » em 1842, « colonias estrangeiras e Haiti » em 1843, « a história da escravidão durante os dos ultimos anos » em 1847.

Em seus escritos, fundamentados pela observação vivenciada durante suas viagens nas Antilhas e África, planeja os princípios e fundamentos de um modelo de reorganização social sem escravidão e carregadas de teorias do socialismo utópico da época, na qual já se prefiguravam - em vários aspectos - a evolução das sociedades das Antilhas.

Abolição da escravidão na Ilha da Réunão

Abolição da escravidão na Ilha da Réunão.

Em fevereiro de 1848, cai a Monarquia de Júlio. A abdicação do Rei Luis Felipe deixa lugar ao Governo Provisório da República, que chama Schoelcher de viagem ao Senegal. Nomeado por Arago, Ministro das Colônias, ao posto de Secretário de Estado, é então encarregado de presidir a Comissão pela abolição e redige o decreto histórico de 27 de abril 1848 :

«  O Governo provisório,

Considerando que a escravidão é um atentado contra a dignidade humana,

Que ao destruir o livre arbítrio do homem, suprime o princípio natural do direito e do dever ;

Que é uma violação flagrante da devisa repúblicana Liberdade, gualdade, Fraternidade,

Decreta :
Artigo 1 : A escravidão será totalmente abolida em todas as colônias e possessões francesas… »

Guiana e representará a Martinica. Frente à crise da economia do açúcar nas ilhas, a transformação das relações sociais nascidas da emancipação dos escravos, a repressão da imprensa, Victor Schoelcher vai intervir na vida social e política desses territórios : cria o jornal « O Progresso », defende o sufrágio universal, luta para a instrução gratuita e obrigatória, defende as indenizações aos colonos, pede a construção de fábricas açucareiras.


O golpe de Estado do dia 2 de dezembro de 1851 não permite que ele siga com sua ação destinada a melhorar a prosperidade das colônias e a integração dos ex-escravos. Combatendo nas barricadas, é obrigado a fugir do solo francês e encontra exílio na Inglaterra em 1852, onde permanecerá até 1870.

Após a queda do Segundo Imperio, é reeleito deputado de Martinica em 1871 e Senador em 1875, assim como membro do conselho superior pelas colônias.

Presidente da Sociedade de Socorro dos Criolos, publica vários volumes sobre a legislação do trabalho e segue no combate pelo desenvolvimento econômico das Antilhas.

Estatua de Scholcher na Ilha da Martinica


Nao se esquece da luta  pelos direitos humanos, militando pela melhoria da condição das mulheres, a luta contra a pena de morte, a liberdade de imprensa, a laicidade….

Na sua «  Polêmica colonial » publica seus últimos artigos sobre a escravidão nos EEUU, no Brasil e no Senegal. Em 1889 sua obra literária se encerra com um último escrito sobre « a vida de Toussaint Louverture » pelo qual viaja até o castelo de Joux.

Até o fim, sem descanso nem exceção, Schoelcher tinha aplicada sua eterna devisa :

“A República não pretende fazer distinção na família humana. Não exclui nenhuma pessoa da sua imortal devisa : libertade, igualdade, fraternidade”.

museu Schoelcher em Fessenheim
museu Schoelcher em Fessenheim

Victor Schoelcher morreu no dia de Natal de 1893 na sua casa de Houilles. No dia 5 de Janeiro de 1894, dois estudantes das Antilhas e dois oficiais de Marinha – todos negros – encabeçaram a coluna que levou seus restos ao cemitério de Père Lachaise.

Pela ocasião do Centenário da abolição da escravatura, seus restos foram transferidos ao Pantheon Nacional em Paris. Ao mesmo tempo aparece Felix Eboué, descendente de escravo, governador da África Equatorial Francesa e primero Resistante do Império aliado ao General de Gaulle.

Para conservar a lembrança de quem nunca tinha esquecido suas raízes, foi inaugurado em 1982 em Fessenheim (Alsácia), o museu Schoelcher com o apoio de Gaston Monnerville, ele mesmo neto de  escravos da Guyana e Presidente do Conselho da República Francesa.

 

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